Compaixão ≠ Indiferença

OK. sei que não podemos/devemos comentar processos pessoais, ainda mais os que, por sua própria natureza, correm em segredo de justiça, envolvam menores, família, etc etc e etc….

Mas posso comentar que estou cansada de belas palavras e, principalmente, do uso indevido das palavras Justiça, Amor, Solidariedade, quando encontro pela frente pessoas frias, sem um pingo de compaixão. Corações de pedra. Máquinas.

Para quem sente Compaixão mas não sabe definir exatamente o que é, vai aqui, primeiro, a definição básica do dicionário:

s.f. Sentimento de pesar que nos causam os males alheios, bem como uma vontade de ajudar o próximo.
Sentimento de simpatia ou de piedade para com o sofrimento alheio, associado a vontade ou ao desejo de auxiliar de alguma forma.

Mas é mais do que isso. É sentir o que o outro sente e entendê-lo. É, depois disso, colocar-se no seu lugar e tentar enxergar da forma que ele enxerga. É, depois disso, ser pró-ativo e minorar esse sofrimento. Se é fome, comida. Se é solidão, companhia. Se é tristeza, alegria. Se está ao seu alcance, trabalhar para diminuir o que puder. Não é ter pena. Pena é somente se compadecer e não se mexer. Pena é fácil.

Mas, em alguns casos, o que vejo é o distanciamento. É a letra fria da lei. São os interesses estatísticos de aplicação da lei. Não são levados em conta os sentimentos. NÃO SÃO. Pode esquecer.

O que vejo, realmente é seu antônimo ser usado com maior frequência. Tanto é assim, que a indiferença é tão normal, que acaba gerando, nos que tem poder de decidir, um aval, uma certeza de que estão fazendo o certo.

Não podemos colocar nossos sentimentos, não podemos nos comprometer para solucionar, de forma humana, situações desumanas.

Estou inconformada, desanimada, me sentindo impotente. A lei pode dizer que é por aqui. Mas o bom senso, a delicadeza, a compaixão, aceitar as coincidências favoráveis e enxergar a Mão de Deus é o que eu esperava que acontecesse.

Não vou desistir, mas a esperança que fosse solucionado de modo amoroso e tão óbvio para mim, ficou lá escondida.

Ok. Não sou técnica. Não sou psicóloga. Não sou assistente social. Não sou promotor. Não sou Juiz.

Mas sou Filha de Deus.

Sou advogada, Avó, mãe, filha, irmã, mulher e amiga.

Não sou indiferente e desnaturada.

Meu coração é de carne e não pedra.

Todos os dias, na missa, pedimos a compaixão de Deus:

….

Segue-se a absolvição do sacerdote:
Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós,
perdoe os nossos pecados
e nos conduza à vida eterna.
O povo responde:
Amém 

…..

Então, queremos compaixão…. Pedimos a Deus pai, Todo Poderoso…. hum…. então tá.

Agora, rezem mais, porque se Ele for assim, tão técnico, tão distante, tão profissional….

Salve-se quem puder!

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4 comentários em “Compaixão ≠ Indiferença

  1. Muito bom! Eu sofri pra caramba com uma pessoa que foi super indiferente comigo. Ela achava que “neutralidade” era ok, mas, no fim das contas, a pessoa se revelou o indivíduo mais sem compaixão do mundo. Triste demais! Que bom que você consegue se manter humana apesar da sua profissão séria.

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