Solidariedade

Como significado, encontramos no dicionário “Dicio” online, por exemplo, o seguinte:

Significado de Solidariedade  

s.f. Característica, particularidade ou estado de solidário.
Jurídico. Acordo através do qual algumas pessoas se sentem obrigadas umas em relação as outras e/ou cada uma (individualmente) em relação as demais.
Sentimento de compadecimento com as dificuldades e/ou sofrimentos de outras pessoas.
Sentimento que consiste na identificação com as misérias alheias; conhecimento do sofrimento daqueles que são pobres.
A demonstração ou a manifestação desse sentimento com o propósito de ajudar; ajuda, amparo ou apoio.
Assistência moral demonstrada a uma pessoa em determinadas situações: depois do jogo, ele manifestou sua solidariedade ao jogador oponente.
Estado de (uma ou mais) pessoas que compartilham de modo igual e entre si as obrigações de um ato, empresa ou negócio e, por sua vez, arcam com as responsabilidades que lhes são particulares; interdependência.
Identificação de pensamentos, ideias, sensações, sentimentos etc.
(Etm. solidário + dade)

Sinônimos de Solidariedade

Sinônimo de solidariedade: ajuda, amparo, apoio, companheirismo e interdependência

Muito lindo. Mas, e na prática?

Vejo em muitas pessoas, que não são ruins, uma dificuldade em agir de acordo com o que pensam e declaram ser. Mas, na hora H, na hora do aperto, na hora em que têm que tomar uma atitude, agir, ficarem inertes. Não se mexem, podendo. Não interferem, quando é exigido. Não se doam, como é o esperado. E, se consideram bons. E, os consideram bons. E até, são bons.

Mas há um desgaste muito grande para se obter a resposta que se espera, espontânea. E, ao final, aquilo que foi conseguido à saca-rolhas, que foi praticamente arrancado da inércia, vira ato de heroísmo e congratulações. O resultado obtido, a consciência aplacada, resta conformar-se, conformar-me.

Mas não sou assim. Sou cobradora. Sou inconformada. Sou ação. Não me comove um ato isolado. Não me comove uma ação tapa-buraco. Não me comove o ator, quando não é seu, o gesto. Quando o gesto é fruto do script para aquela cena.

Obviamente sei que não posso querer que pensem e ajam como eu penso e ajo. Mas, não ajo sempre como quero, e sim, como é preciso e, isso é uma exigência da vida. Quem faz tudo o que quer? Só um tirano, um déspota. E, ainda assim, a vida pode dar as lições que os colocam no lugar, nivelam a condição humana e sem qualquer poder de modificação. Se, ainda assim, não aprendem e, vem com um belo discurso em que se mascaram o seu “eu” verdadeiro, não tenho nenhum sentimento de piedade. Tenho um sentimento de desdém, de raiva e impotência, à frente de seres humanos fracos e covardes.

O meu inconformismo não tem fim. Não posso obrigar ninguém a agir desta ou de outra forma. Posso até respeitar seu direito, mas não me peçam para compreender os que, podendo, não agem para aliviar o sofrimento alheio.

Frases do tipo: “não vou visitar fulano no hospital porque não aguento vê-lo assim sofrendo”… não falem na minha frente.

ou, ” a pessoa nem telefonar para perguntar se precisam de alguma coisa, por medo que cobrem sua presença, ou, pior… peçam dinheiro”, às vezes é tão escancarado que me dá vontade de sair quebrando tudo…. em que momento o dinheiro pode substituir o abraço, o olhar compreensivo, a presença, uma oração em voz alta, um ouvido atento?

Não aparecer para sequer fazer uma troca de plantão, de turno para que alguém possa ir ao banheiro, tomar um banho, dormir, e deixar se sentir sem nenhuma obrigação, porque não tem nada com isso mesmo, é assinar embaixo da mediocridade e mesquinharia.

Já ouvi dizer várias vezes, os que não vão a enterros, velórios, que irão guardar na lembrança, a pessoa, como era, viva. Essa sim, bate o recorde. Nunca, na minha vida, substitui a imagem de alguém que amava, vivo, por tê-lo/tê-la visto morta. E, assim, aplaca-se a consciência e deixam para os fortes, a missão de enterrar seus entes queridos, enquanto os fracos ficam vivendo de “boas lembranças”. Muitos não deixarão tão boas lembranças, e como ficarão? Céus! Não tenho paciência.

Nossas obrigações sociais, não são só festas, comemorações, oba-oba. Velórios, enterros, missas de sétimo dia, visitas aos familiares, fazem parte da lista, que deveria ser ensinada no berçário….

Todos nós, sem exceção, iremos também, portanto, que tal começar a ‘treinar” desde cedo para assim, aceitar mais facilmente a morte, que todos nós fingimos não ter medo.

Obviamente que, num velório, não há necessidade de chegar perto do caixão, vamos combinar…. A presença é para os vivos, Os que precisam de apoio, carinho, compreensão, palavras de encorajamento, dinheiro para o coveiro.

Carapuças, quem as vestir, não me culpe.

Os caprichos da Genny .

Hoje, enquanto tomava meu café diário com Genny, conversávamos sobre o que tínhamos almoçado no dia anterior. Ela me contou então, que havia feito somente macarrão com molho vermelho. E que sobrou um pouco no prato e que ela o cobriu e deixou sobre a mesa para comer mais tarde.

Perguntei se não tinha medo que azedasse e ela disse que não.

Contou então, que gostava de comer assim, frio, o macarrão do almoço.

Antes de sair para a missa de sétimo dia de uma amiga dela, sentou-se e comeu o dito macarrão. Às 15h30…..

Contou rindo, dizendo que essa era uma mania sua. Então não resisti e vim contar aqui. Jô Soares come feijão gelado, com azeite, nas madrugadas… porque ela não poderia comer macarrão frio, no meio da tarde?

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Obviamente, pedi permissão para publicar a lista de seus caprichos. Preparem-se…. A lista é grande…..

Cora Coralina ” sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.”

Desde sempre, detestei a palavra velho ou velha para me referir a alguém que já tivesse passado dos… 30, 40, 50, 60, ou seja, dependendo de quantos anos eu tivesse na época. Mas não chamo/chamei ninguém assim até hoje. E, se me referir, será sempre falando que não gosto. E, quanto à mim, não aceito, não admito que me chamem de velha. Penso que se aceitarmos que nos chamem com esses adjetivos, eles grudam na nossa pele, e cada vez mais nos sentiremos assim, velhos, cansados, fora de moda, etc etc e etc.

Meus filhos não falavam essa palavra porque eu não deixava. Dizia aquele senhor, aquela senhora, para que assim se referissem à pessoas que considerassem velhas, afinal meus pais, depois meus sogros moraram conosco e eles eram velhos. Dá para aceitar ouvir pejorativamente seus netos se referirem à outras pessoas como velhos e velhas sem lembrar dos avós aqui em casa?

Mas, cada dia mais vejo a falta de respeito com as pessoas que já passaram dos 70, 80 e que lutam para serem enxergados pelos seus filhos, familiares, vizinhos, sistema de saúde, etc… A única coisa que me consola é que, envelhecerão tb… Aguardemos.

Uma vez, um repórter perguntou à poeta Cora Coralina o que é viver bem. Ela lhe disse: cora coralina

“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.
E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo.
Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada.Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.
Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”

Não me peçam para não chorar.

Não sou uma chorona sem controle. Não sou carpideira. Não me descabelo à toa. Mas choro.

Escrever ou não? Escrever sobre a Fernanda Nascimento, que nos deixou há dois dias é uma decisão difícil. Mas, ela também desabafava e expunha sua vida, escrevendo. Com seu exemplo de luta, de guerreira que não se abateu até o último instante, não pode simplesmente desaparecer. Escrevo, então, para homenagear essa linda menina, para que meu ciclo, em relação à ela possa ser fechado, sem que me sinta em falta com ela.

Não sou uma chorona sem controle. Não sou carpideira. Não me descabelo à toa. Mas choro. Em casamentos, em missas, ouvindo algum discurso, uma música, cantando junto, ou só lembrando. Mas não sou uma chorona sem controle. Não sou carpideira. Não me descabelo à toa.

Choro de saudade, de tristeza, de lembrar, de reviver.

Choro, inclusive, até em velórios. Pouco. Muito pouco. Mais por constrangimento do que por falta de sentimento. Só não quero ouvir frases do tipo: Não chore. Choro. O choro é meu. Não sou uma chorona sem controle. Não sou carpideira. Não me descabelo à toa.

Não existe consolação, palavra de conforto, esperança, certeza do encontro com Deus, certeza que foi o melhor, ou sua missão terminou, que me impeçam de chorar. Não sou uma chorona sem controle. Não sou carpideira. Não me descabelo à toa.

Como poderia evitar o choro, sincero, de tristeza, saudade, de lamentar a morte de uma pessoa jovem? Não precisaria sequer, conhecê-la, para lamentar.

Mas conhecia. E amava. Assim como todos os que a conheciam. Ela é unanimidade.

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https://www.facebook.com/fernanda.nascimento2?pnref=story

Quem se lembrará dela, se não for sorrindo, intensa, cheia de vida, tão ela mesma?

Certo também que uma pessoa assim só pode ser amada intensamente. Amigos, pais, marido, sogra, cunhados, irmã, sobrinhos, todos nós, aqui, nos sentindo um pouco sós. Cansados, tristes. Mas ainda assim, unidos em torno de uma vida que se foi, mas que todos nós consideramos um privilégio termos participado de sua convivência.

Fernanda quebrou ontem um pacto que tinha feito comigo. Reclamei sobre isso, inclusive com sua mãe. Tínhamos combinado que ela me daria banho na velhice, mesmo não sendo mais minha nora. Claro também, que ela já havia me contado que tinha providenciado uma banheira: bem larga e bem funda, dando uma grande gargalhada. Exatamente, não sei bem o que ela pretendia… Mas ela se foi e eu não poderei cobrar esse cuidado. Mas terei outros, com certeza, vindo em forma das boas lembranças e da saudade que insistirá em bater à minha porta e que eu vou deixar entrar e reviver, chorar, até que ela vá passando, vá se transformando. E assim passarão os dias. Os meus, os seus, os nossos. Um dia nos encontraremos, tenho certeza, assim como tenho certeza que reencontrarei todos os meus queridos que já partiram antes de mim. Ô gente apressada…

Não me peçam para não chorar.

Não me cobrem se me virem chorando.

Não sou uma chorona sem controle. Não sou carpideira. Não me descabelo à toa.

A vida continua. E somos obrigados a nos curvar diante do que não compreendemos. Também somos obrigados então, a entender que a vida passa rápido e que perdemos tempo com muita bobagem, com mágoas infantis, com desejos desnecessários, com vaidade exacerbada, com o acúmulo de riqueza material, com a falta de caridade, com brigas e disputas idiotas.

Faço então, um pacto novo com você Fernanda… De jamais me esquecer de seu sorriso, de sua alegria e de manter seu exemplo, como meta a ser alcançada, de não perder a esperança, muito menos a Fé em Deus.

Não sou uma chorona sem controle. Não sou carpideira. Não me descabelo à toa. Mas choro. O choro é meu.

Minhas orações por você, só mudarão de lado.

Fique com Deus. Paz e Bem. Até um dia.

O recalque.

Não gosto de rotular pessoas. Afinal de contas, rotular é restringir. E uma pessoa não pode ser só aquilo que diz o rótulo. Claro, existem as exceções. As recalcadas, por exemplo. Pessoas recalcadas, não são restritas, afinal de contas, uma pessoa recalcada, não o é por um problema só. Ela é recalcada por milhões de causas. Ah, vamos por ordem.

Alfabética?

Recalques por conta da:

Alegria , dos outros.

Da Altura, dos outros.

Da Beleza, dos outros.

Da Bondade, dos outros.

Da Caridade, que os outros fazem.

Do Carinho, que os outros, recebem.

Da Dedicação, dos outros.

Da Disposição, dos outros.

Do Entusiasmo, dos outros.

Da Felicidade, dos outros.

Da Gratidão, dos outros.

Da Harmonia, que os outros demonstram viver.

Da Inquietude, em que vivem.

Da Justiça, que entendem ser merecedores.

Da Lealdade, que não recebem.

Da Musicalidade, que não possuem.

Da Negação, em que vivem.

Do Orgulho que lhes cegam.

Da Pureza, que negam existir em alguém.

Do Preconceito, que possuem e sofrem também.

Das pessoas Queridas, que não lhe enxergam.

Das Ricas, pela inveja que sentem.

Das Saudáveis, mas nada fazem para cuidar de si.

Das sofridas, porque enxergam ser mais ainda.

Das que são ternas, já que desconhecem esse sentimento.

Da tristeza, que pensam que só elas sofrem.

Da união que não conseguem em nada do que vivem.

Das pessoas verdadeiras, porque prefere viver com a falsidade.

Das vítimas, porque até isso lhes causam recalques. Sentem-se mais vítimas do que as outras. E, não enxergam como são privilegiadas.

Das xiliquentas, porque não possuem a mesma coragem.

Das zelosas, coisa que jamais quiseram ser com coisa alguma.

Às vezes não se percebe, à primeira vista, seu recalque/recalques, mas basta um olhar mais atendo, um ouvido mais apurado e, tcharam! abrem-se sem qualquer pudor. Não têm papas na língua e despejam seus pensamentos, ressentimentos bem no meio da nossa cara.

A salada já está pronta. E, você não consegue ter, sequer separar o joio do trigo, de aprofundar o que a ponta do iceberg mostrou.

E. você se sente enganada, porque pensou que estivesse fazendo tudo para que esses sentimentos sequer passassem na porta. E, eles estão instalados bem no meio da sala de visitas, no sofá da sua casa.

Por ordem de prioridade?

O seu problema é maior do que o dos outros.

O seu salário,  é menor do que o dos outros.

A sua saúde está mais abalada do que a dos outros.

O seu plano de saúde está falido. (aqui, tá difícil heim….)

O seu tempo é mais curto do que o dos outros.

Seu seguro, segura menos do que o dos outros.

Sua internet é mais lenta do que a dos outros.

E, por aí, vai…. sem fim.

Antítese

Hoje, meu filho mais velho, Magno Alexandre faz 38 anos.

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Dizem que toda mulher que conta sua idade não é confiável…rs o que dirão de quem conta a idade do filho….

Entre todas as coisas que aconteceram no dia 30 de junho nesses anos todos, em 1987, precisamente quando Alexandre completava 11 anos, minha mãe faleceu. Dia complicado para todos nós.

Depois de acordar as crianças e, de parabenizar o Xan, tive que contar que iríamos subir por que a vovó Lilia tinha falecido.

Penso sempre que não sofri o que sofreria se tivesse sido em qualquer outro dia. Por conta de ser aniversário de uma criança e, para não tornar esse dia, para sempre, um dia de luto, consegui, eu, pelo menos acho, disfarçar esse sofrimento para manter a alegria de ser o aniversário dele.

Tia Maria Clara Moura Nascimento e seu marido, Silvio, foram até o Cemitério Gethsemani e levaram o Xan para passear e almoçar. Compraram presentes e o trouxeram de volta já no final da tarde. Acredito que sem eles, Alexandre também teria sofrido mais. Se não agradeci como devia, naquela data, agradeço hoje aqui novamente.

Em que pese minha fé na certeza de que a morte não é o fim e de que ela está com Deus, todo ano tenho um sentimento de tristeza por conta desta separação de minha mãe. Mas ele não se instala também em vista da alegria de ser o aniversário do meu filho querido.

Hoje de manhã, comecei o dia participando de missa que pedi para ser rezada em intenção da vida do Alexandre. Ao terminar a missa as palavras do Frei foram de bençãos para ele e para outra aniversariante para quem  também pediram as intenções. Nessa hora o Frei  Carlinhos falando o nome dele, como sempre olhando para os fiéis à procura da pessoa homenageada, quando eu me manifestei informando que era meu filho mais velho e que residia em SJC. Mas, não disse em alto em bom som quantos anos ele faz…. Uma coisa é escrever…. a outra é ficar proclamando por aí….

Xan, eu amo você com todo meu coração.