Casa da vovó; Casa da tia Célia; Nossa casa.

Quarta-feira fui pra São Paulo para esperar retirarem o último objeto da casa da Tia Célia.

Célia, minha tia caçula faleceu dia 1º de dezembro de 2011.

Triste ver a casa ser aos poucos esvaziada e agora, com o final do inventário, só nos resta vendê-la.

Tirei fotos praticamente da casa inteira, menos do quintal e das laterais, porque estavam trancados os portões e eu tinha um compromisso com Maria Emília.

Não chorei enquanto fotografava, mas chorei agora, enquanto colocava a marca d’água.

Célia substituiu minha madrinha, minha mãe. Foi minha amiga e conselheira. Foi minha madrinha de casamento e fã dos meus filhos e até do marido também…. rsrs

Sinto falta de lhe telefonar, de ouvir sua voz forte me dando bronca, me elogiando, me dando conselhos, me acolhendo.

Agora, só saudade.

Dia das mães

O tema desta semana da blogagem coletiva, é esmalte e maternidade.

Não vou falar dos meus filhos

da realização que me deram por ser mãe deles, mas da alegria de ser filha de Lilia.

Segundo domingo de maio. Dia das mães.

Mamãe faleceu em 1987. São, portanto, quase 25 anos sem sua presença, sem sua voz, sua risada, seu colo, sua compreensão, seus ensinamentos e agrados.

Mas, mesmo sem sua presença, todos os dias, invariavelmente penso nela. Ou porque cozinhei algo que aprendi com ela, ou o que ela fazia especialmente pra mim, quando subíamos a serra para visitá-la.  Ou quando estava educando meus filhos, e me pegava repetindo as frases que foram meu alicerce. Ou quando faço algo manual, já que tudo o que sei, aprendi com ela também.

De tricô ao piano, da datilografia à culinária, do português à matemática, tudo o que sei, comecei a sabê-lo porque ela tinha esse dom de ensinar.

Mais do que apenas o dom da maternidade, tinha o dom de compartilhar. Sei que nem sempre foi compreendida, já que queria que todo mundo soubesse o que ela sabia, e às pessoas, numa grande maioria, não querem aprender nada, querem apenas, ser servidas. querem tudo pronto.

Nesse ponto, puxei mamãe em 100%. Fora a aparência – somos a cara uma da outra, sou assim também, um pouco professora, um pouco aprendiz. Quero saber como se faz, mas passo o que sei, do mesmo modo.

Mamãe pode não ter conseguido me incentivar a fazer patchwork quando fazia as colchas para doação, como este bloco aqui, que guardo com muito carinho e que já tem destino .

Será o centro da capa de máquina-de-costura que resolvi fazer. O projeto será meu, mas terá esse bloco com o destaque devido, além de que ele tem no mínimo, 25 anos comigo. Não tenho como precisar sua idade, mas vai além de 30. As colchas eram feitas à mão, e doadas. Os tecidos eram os doados também e, nem sempre a combinação era perfeita. 

Mas porque aprendi os primeiros passos de tudo o que sei, que hoje, não tenho dificuldade em arriscar a fazer os projetos em que mergulho.

A saudade é o pior castigo, mas até ela é um privilégio. Ter de quem sentir saudade, já é uma felicidade.

Abaixo, o esmalte desta semana. Pipa da Impala e alguns projetos meus.