Tristeza.

Então me perguntam se estou triste?

Irremediavelmente triste. Inconsolavelmente triste.

Triste, triste, tristíssima.

Porque?

Não consigo escrever o porquê.

Não sei se enumero, se coloco em ordem alfabética, ou em ordem de intensidade de sentimento.

Ou por ter que desistir de algumas coisas para poder ter outras, sendo que não quero desistir…

ou por tamanho da dor, ou se pelo tamanho da decepção.

Se por tempo de tristeza, se por qualidade de tristeza ou se por raiva de a estar sentindo.

Se posso tomar esta ou aquela atitude para acabar com ela.

Se, tomando-a, não acabo também com outros sentimentos.

Se corro o risco de matá-la e com ela, a esperança.

Então me perguntam se estou triste.

Estou.

Tristeeza, por favor, vá embora!

Minha alma que choora…. 

Está vendo o meu fim.

Lala, laralara…
Quero, de novo, cantar
Tristeza, por favor, vá embora
Minha alma que chora, está vendo o meu fim
Fez do meu coração a sua moradia
Já é demais o meu penar
Quero voltar àquela vida de alegria
Quero, de novo, cantar
Laiara…

Link: http://www.vagalume.com.br/elis-regina/tristeza.html#ixzz3p0tqWOoo

O recalque.

Não gosto de rotular pessoas. Afinal de contas, rotular é restringir. E uma pessoa não pode ser só aquilo que diz o rótulo. Claro, existem as exceções. As recalcadas, por exemplo. Pessoas recalcadas, não são restritas, afinal de contas, uma pessoa recalcada, não o é por um problema só. Ela é recalcada por milhões de causas. Ah, vamos por ordem.

Alfabética?

Recalques por conta da:

Alegria , dos outros.

Da Altura, dos outros.

Da Beleza, dos outros.

Da Bondade, dos outros.

Da Caridade, que os outros fazem.

Do Carinho, que os outros, recebem.

Da Dedicação, dos outros.

Da Disposição, dos outros.

Do Entusiasmo, dos outros.

Da Felicidade, dos outros.

Da Gratidão, dos outros.

Da Harmonia, que os outros demonstram viver.

Da Inquietude, em que vivem.

Da Justiça, que entendem ser merecedores.

Da Lealdade, que não recebem.

Da Musicalidade, que não possuem.

Da Negação, em que vivem.

Do Orgulho que lhes cegam.

Da Pureza, que negam existir em alguém.

Do Preconceito, que possuem e sofrem também.

Das pessoas Queridas, que não lhe enxergam.

Das Ricas, pela inveja que sentem.

Das Saudáveis, mas nada fazem para cuidar de si.

Das sofridas, porque enxergam ser mais ainda.

Das que são ternas, já que desconhecem esse sentimento.

Da tristeza, que pensam que só elas sofrem.

Da união que não conseguem em nada do que vivem.

Das pessoas verdadeiras, porque prefere viver com a falsidade.

Das vítimas, porque até isso lhes causam recalques. Sentem-se mais vítimas do que as outras. E, não enxergam como são privilegiadas.

Das xiliquentas, porque não possuem a mesma coragem.

Das zelosas, coisa que jamais quiseram ser com coisa alguma.

Às vezes não se percebe, à primeira vista, seu recalque/recalques, mas basta um olhar mais atendo, um ouvido mais apurado e, tcharam! abrem-se sem qualquer pudor. Não têm papas na língua e despejam seus pensamentos, ressentimentos bem no meio da nossa cara.

A salada já está pronta. E, você não consegue ter, sequer separar o joio do trigo, de aprofundar o que a ponta do iceberg mostrou.

E. você se sente enganada, porque pensou que estivesse fazendo tudo para que esses sentimentos sequer passassem na porta. E, eles estão instalados bem no meio da sala de visitas, no sofá da sua casa.

Por ordem de prioridade?

O seu problema é maior do que o dos outros.

O seu salário,  é menor do que o dos outros.

A sua saúde está mais abalada do que a dos outros.

O seu plano de saúde está falido. (aqui, tá difícil heim….)

O seu tempo é mais curto do que o dos outros.

Seu seguro, segura menos do que o dos outros.

Sua internet é mais lenta do que a dos outros.

E, por aí, vai…. sem fim.

Sentimentos que precisamos entender e modificar….

Difícil aceitar, sobre nós, algo que não gostamos nos outros também. Enxergar defeitos, exageros, preconceitos em nós mesmos é um exercício e tanto.

Talvez seja necessário esse encontro entre o eu, que imagino ser, com o eu, que sou realmente.

E mais, ter que entender que, a única alternativa possível é, após aceitarmos que tudo bem, não sou assim tão maravilhosa é,  em seguida, modificar o comportamento, o sentimento que nos distancia desse ideal.

Ontem, “me peguei” com ciúmes, ou inveja, difícil até dar o nome ao sentimento ruim…. de uma oradora. Pensava, hum…. sei…tá bom….. enquanto que, na verdade, o correto é incrível, apesar de lhe achar antipática, entre outros adjetivos, o certo é que,  você sabe falar bem, sabe incluir as informações que lastreiam seu discurso, incentivar os que a ouvem, e encerrar com a sensação de que não nos cansou, só nos distraiu.

Exercício de humildade já.