Livro da Sabedoria

​Para reflexão

(Sb 7,21-23) “pois a Sabedoria, artífice de todas as coisas, mo ensinou. 22.Há nela um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, perspicaz, imaculado, lúcido, invulnerável, amante do bem, penetrante, 23.incoercível, benfazejo, amigo dos homens, benigno, constante, certeiro, seguro, que tudo pode, que tudo ” (Sb 7,23-30) “supervisiona, que penetra todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis. 24.Pois a Sabedoria é mais ágil que qualquer movimento, e atravessa e penetra tudo por causa da sua pureza. 25.Ela é o sopro do poder de Deus, uma emanação pura da glória do Todo-Poderoso. Por isso, nada de impuro pode introduzir-se nela: 26.ela é reflexo da luz eterna, espelho sem mancha do poder de Deus e imagem da sua bondade. 27.Embora sendo uma só, tudo pode; permanecendo imutável, renova tudo; e comunicando-se às almas santas através das gerações, forma os amigos de Deus e os profetas. 28.Pois Deus ama tão somente aquele que convive com a Sabedoria. 29.De fato, ela é mais bela que o sol e supera todas as constelações. Comparada à luz, ela é mais brilhante: 30.pois à luz sucede a noite, ao passo que, contra a Sabedoria, o mal não prevalece”

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Cora Coralina ” sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.”

Desde sempre, detestei a palavra velho ou velha para me referir a alguém que já tivesse passado dos… 30, 40, 50, 60, ou seja, dependendo de quantos anos eu tivesse na época. Mas não chamo/chamei ninguém assim até hoje. E, se me referir, será sempre falando que não gosto. E, quanto à mim, não aceito, não admito que me chamem de velha. Penso que se aceitarmos que nos chamem com esses adjetivos, eles grudam na nossa pele, e cada vez mais nos sentiremos assim, velhos, cansados, fora de moda, etc etc e etc.

Meus filhos não falavam essa palavra porque eu não deixava. Dizia aquele senhor, aquela senhora, para que assim se referissem à pessoas que considerassem velhas, afinal meus pais, depois meus sogros moraram conosco e eles eram velhos. Dá para aceitar ouvir pejorativamente seus netos se referirem à outras pessoas como velhos e velhas sem lembrar dos avós aqui em casa?

Mas, cada dia mais vejo a falta de respeito com as pessoas que já passaram dos 70, 80 e que lutam para serem enxergados pelos seus filhos, familiares, vizinhos, sistema de saúde, etc… A única coisa que me consola é que, envelhecerão tb… Aguardemos.

Uma vez, um repórter perguntou à poeta Cora Coralina o que é viver bem. Ela lhe disse: cora coralina

“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.
E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo.
Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada.Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.
Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”

O texto Erótica é a Alma devia ser lido todos os dias ao levantar e ao deitar.

Duro exercício, esse, o de envelhecer.

Catarina Bin, uma cliente minha, me falou no escritório, há mais de 15 anos que o verbo que devemos aprender a conjugar é aceitar.

Aceitar, não é se entregar e nada fazer, é entender o processo do envelhecimento, aquele que aprendemos lá nas aulas de biologia.. nascer, crescer, amadurecer, reproduzir e morrer.  Entre o primeiro e o último, viver.

No nosso dia-a-dia, se fizermos algo ou nada fizermos, a vida passará. O que importa é como enfrentar tudo isso. Vamos percebendo que não somos mais jovens, não por nós mesmos, mas pelos outros. Pelos filhos, pelos colegas de trabalho, pela turma da academia. Se formos nos deixar abater ao nos compararmos com os mais jovens, ah, melhor ficar em casa, trancado no escuro….

Os textos abaixo são meus meus preferidos, da escritora Adélia Prado:

A Serenata

Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerânios ele viria com boca e mão incríveis tocar flauta no jardim. Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa. Eu que rejeito e exprobo o que não for natural como sangue e veias descubro que estou chorando todo dia, os cabelos entristecidos, a pele assaltada de indecisão. Quando ele vier, porque é certo que vem, de que modo vou chegar ao balcão sem juventude? A lua, os gerânios e ele serão os mesmos – só a mulher entre as coisas envelhece. De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?

Se este primeiro é um tanto triste, ela se retrata com este abaixo:

A Quem Interessar Possa!
“Erótica é a Alma”
“Todos vamos envelhecer…
Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos.
A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar.
Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores.
Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.”