A apenas alguns passos

Que surpresa boa. Entre, puxe uma cadeira, aceita um café? Não se acanhe, fique à vontade. O ontem já passou, esqueça. Quero apenas lhe dirigir algumas palavras, dividir contigo um conselho de amigo mesmo. Não faça mais isto. Não! Nem sempre temos a razão, acredite! Não adianta levantar-se e sair por aí tropeçando no próprio […]

https://reportter.wordpress.com/2015/07/07/passos/

Anúncios

Solidariedade

Como significado, encontramos no dicionário “Dicio” online, por exemplo, o seguinte:

Significado de Solidariedade  

s.f. Característica, particularidade ou estado de solidário.
Jurídico. Acordo através do qual algumas pessoas se sentem obrigadas umas em relação as outras e/ou cada uma (individualmente) em relação as demais.
Sentimento de compadecimento com as dificuldades e/ou sofrimentos de outras pessoas.
Sentimento que consiste na identificação com as misérias alheias; conhecimento do sofrimento daqueles que são pobres.
A demonstração ou a manifestação desse sentimento com o propósito de ajudar; ajuda, amparo ou apoio.
Assistência moral demonstrada a uma pessoa em determinadas situações: depois do jogo, ele manifestou sua solidariedade ao jogador oponente.
Estado de (uma ou mais) pessoas que compartilham de modo igual e entre si as obrigações de um ato, empresa ou negócio e, por sua vez, arcam com as responsabilidades que lhes são particulares; interdependência.
Identificação de pensamentos, ideias, sensações, sentimentos etc.
(Etm. solidário + dade)

Sinônimos de Solidariedade

Sinônimo de solidariedade: ajuda, amparo, apoio, companheirismo e interdependência

Muito lindo. Mas, e na prática?

Vejo em muitas pessoas, que não são ruins, uma dificuldade em agir de acordo com o que pensam e declaram ser. Mas, na hora H, na hora do aperto, na hora em que têm que tomar uma atitude, agir, ficarem inertes. Não se mexem, podendo. Não interferem, quando é exigido. Não se doam, como é o esperado. E, se consideram bons. E, os consideram bons. E até, são bons.

Mas há um desgaste muito grande para se obter a resposta que se espera, espontânea. E, ao final, aquilo que foi conseguido à saca-rolhas, que foi praticamente arrancado da inércia, vira ato de heroísmo e congratulações. O resultado obtido, a consciência aplacada, resta conformar-se, conformar-me.

Mas não sou assim. Sou cobradora. Sou inconformada. Sou ação. Não me comove um ato isolado. Não me comove uma ação tapa-buraco. Não me comove o ator, quando não é seu, o gesto. Quando o gesto é fruto do script para aquela cena.

Obviamente sei que não posso querer que pensem e ajam como eu penso e ajo. Mas, não ajo sempre como quero, e sim, como é preciso e, isso é uma exigência da vida. Quem faz tudo o que quer? Só um tirano, um déspota. E, ainda assim, a vida pode dar as lições que os colocam no lugar, nivelam a condição humana e sem qualquer poder de modificação. Se, ainda assim, não aprendem e, vem com um belo discurso em que se mascaram o seu “eu” verdadeiro, não tenho nenhum sentimento de piedade. Tenho um sentimento de desdém, de raiva e impotência, à frente de seres humanos fracos e covardes.

O meu inconformismo não tem fim. Não posso obrigar ninguém a agir desta ou de outra forma. Posso até respeitar seu direito, mas não me peçam para compreender os que, podendo, não agem para aliviar o sofrimento alheio.

Frases do tipo: “não vou visitar fulano no hospital porque não aguento vê-lo assim sofrendo”… não falem na minha frente.

ou, ” a pessoa nem telefonar para perguntar se precisam de alguma coisa, por medo que cobrem sua presença, ou, pior… peçam dinheiro”, às vezes é tão escancarado que me dá vontade de sair quebrando tudo…. em que momento o dinheiro pode substituir o abraço, o olhar compreensivo, a presença, uma oração em voz alta, um ouvido atento?

Não aparecer para sequer fazer uma troca de plantão, de turno para que alguém possa ir ao banheiro, tomar um banho, dormir, e deixar se sentir sem nenhuma obrigação, porque não tem nada com isso mesmo, é assinar embaixo da mediocridade e mesquinharia.

Já ouvi dizer várias vezes, os que não vão a enterros, velórios, que irão guardar na lembrança, a pessoa, como era, viva. Essa sim, bate o recorde. Nunca, na minha vida, substitui a imagem de alguém que amava, vivo, por tê-lo/tê-la visto morta. E, assim, aplaca-se a consciência e deixam para os fortes, a missão de enterrar seus entes queridos, enquanto os fracos ficam vivendo de “boas lembranças”. Muitos não deixarão tão boas lembranças, e como ficarão? Céus! Não tenho paciência.

Nossas obrigações sociais, não são só festas, comemorações, oba-oba. Velórios, enterros, missas de sétimo dia, visitas aos familiares, fazem parte da lista, que deveria ser ensinada no berçário….

Todos nós, sem exceção, iremos também, portanto, que tal começar a ‘treinar” desde cedo para assim, aceitar mais facilmente a morte, que todos nós fingimos não ter medo.

Obviamente que, num velório, não há necessidade de chegar perto do caixão, vamos combinar…. A presença é para os vivos, Os que precisam de apoio, carinho, compreensão, palavras de encorajamento, dinheiro para o coveiro.

Carapuças, quem as vestir, não me culpe.

Cora Coralina ” sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.”

Desde sempre, detestei a palavra velho ou velha para me referir a alguém que já tivesse passado dos… 30, 40, 50, 60, ou seja, dependendo de quantos anos eu tivesse na época. Mas não chamo/chamei ninguém assim até hoje. E, se me referir, será sempre falando que não gosto. E, quanto à mim, não aceito, não admito que me chamem de velha. Penso que se aceitarmos que nos chamem com esses adjetivos, eles grudam na nossa pele, e cada vez mais nos sentiremos assim, velhos, cansados, fora de moda, etc etc e etc.

Meus filhos não falavam essa palavra porque eu não deixava. Dizia aquele senhor, aquela senhora, para que assim se referissem à pessoas que considerassem velhas, afinal meus pais, depois meus sogros moraram conosco e eles eram velhos. Dá para aceitar ouvir pejorativamente seus netos se referirem à outras pessoas como velhos e velhas sem lembrar dos avós aqui em casa?

Mas, cada dia mais vejo a falta de respeito com as pessoas que já passaram dos 70, 80 e que lutam para serem enxergados pelos seus filhos, familiares, vizinhos, sistema de saúde, etc… A única coisa que me consola é que, envelhecerão tb… Aguardemos.

Uma vez, um repórter perguntou à poeta Cora Coralina o que é viver bem. Ela lhe disse: cora coralina

“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.
E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo.
Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada.Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.
Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”